No juros simples, o valor dos juros é calculado apenas sobre o capital inicial
durante todo o período. A base de cálculo não muda — os juros não geram novos juros.
A fórmula dos juros simples é:
\[J = C \cdot i \cdot t\]
\(J\) — juros simples
\(C\) — capital inicial (valor principal)
\(i\) — taxa de juros por período (em decimal)
\(t\) — tempo (mesmo período da taxa)
Montante
O montante \(M\) é o valor total ao final: capital mais juros.
\[M = C + J = C \cdot (1 + i \cdot t)\]
Exemplo — R$ 1.000,00 a 5% a.m. por 6 meses
\(J = 1000 \cdot 0,05 \cdot 6 = 300\)
\(M = 1000 + 300\)
R$ 1.300,00
Nos juros compostos, a cada período o montante (capital + juros acumulados) torna-se
o novo capital. Os juros geram mais juros — o crescimento é exponencial.
A fórmula do montante composto é:
\[M = C \cdot (1 + i)^t\]
\(M\) — montante final
\(C\) — capital inicial
\(i\) — taxa de juros por período (em decimal)
\(t\) — número de períodos
O juros composto total é:
\[J = M - C\]
Exemplo — R$ 1.000,00 a 10% a.a. por 2 anos
\(M = 1000 \cdot (1 + 0,10)^2 = 1000 \cdot (1,1)^2\)
\(M = 1000 \cdot 1,21\)
R$ 1.210,00
Para \(t = 1\) período, juros simples e compostos produzem o mesmo resultado.
Para \(t > 1\), os juros compostos sempre superam os simples.
Juros Simples — crescimento linear; usado em operações de curto prazo (cheque especial, carnês)
Juros Compostos — crescimento exponencial; usado em investimentos, financiamentos e cartões de crédito
Atenção: no Brasil, a maioria das operações financeiras (CDB, poupança, financiamentos, cartões)
utiliza o regime de juros compostos.
Taxas proporcionais são usadas no regime de juros simples:
a conversão é feita por regra de três. Taxas equivalentes são usadas no regime de
juros compostos: a conversão envolve potenciação.
Taxas Proporcionais — Juros Simples
Duas taxas são proporcionais quando guardam a mesma razão que seus períodos:
\[i_2 = i_1 \cdot \frac{t_2}{t_1}\]
Taxa mensal de 3% → taxa anual proporcional
\(i_a = 3\% \cdot 12 = 36\%\) ao ano
36% a.a. é proporcional a 3% a.m.
Taxas Equivalentes — Juros Compostos
Duas taxas são equivalentes quando produzem o mesmo montante no mesmo prazo:
\[(1 + i_a) = (1 + i_m)^{12}\]
Taxa anual de 26,82% → taxa mensal equivalente
\((1 + 0,2682) = (1 + i_m)^{12}\)
\(i_m = (1,2682)^{1/12} - 1 \approx 0,02\)
\(i_m \approx 2\%\) ao mês
Atenção: nunca converta taxas de juros compostos usando regra de três —
isso gera erro. Use sempre a fórmula de equivalência \((1+i_a) = (1+i_m)^{12}\).
O desconto simples calcula a redução linear no valor nominal de um título.
O desconto incide sempre sobre o valor de face — não sobre saldo acumulado.
A fórmula do desconto simples é:
\[D = N \cdot i \cdot t\]
\(D\) — desconto
\(N\) — valor nominal do título
\(i\) — taxa de desconto por período (em decimal)
\(t\) — prazo até o vencimento
Valor Atual
O valor atual \(A\) é o que o devedor paga antecipadamente:
\[A = N - D = N \cdot (1 - i \cdot t)\]
Exemplo — Título R$ 1.000,00, desconto 10% a.a., prazo 1 ano
\(D = 1000 \cdot 0,10 \cdot 1 = 100\)
\(A = 1000 - 100\)
R$ 900,00
No desconto composto, o desconto é aplicado de forma sucessiva
sobre o saldo remanescente de cada período. O valor descontado diminui progressivamente
— é o inverso do regime de juros compostos.
A fórmula do desconto composto é:
\[A = N \cdot (1 - i)^t\]
\(A\) — valor atual (recebido após o desconto)
\(N\) — valor nominal (total no vencimento)
\(i\) — taxa de desconto por período (em decimal)
\(t\) — número de períodos
O desconto total aplicado é:
\[D = N - A\]
Exemplo — Título R$ 5.000,00, desconto composto 5% a.m. por 3 meses
\(A = 5000 \cdot (1 - 0,05)^3 = 5000 \cdot (0,95)^3\)
\(A = 5000 \cdot 0,857375 \approx\) R$ 4.287,00
\(D = 5000 - 4287\)
R$ 713,00
O desconto por fora (comercial) é calculado sobre o valor nominal \(N\).
O desconto por dentro (racional) é calculado sobre o valor atual \(A\)
— equivale a juros simples sobre o capital antecipado.
Desconto Comercial (por fora)
\[D_{\text{fora}} = N \cdot i \cdot t \qquad A = N \cdot (1 - i \cdot t)\]
Desconto Racional (por dentro)
\[D_{\text{dentro}} = A \cdot i \cdot t \qquad A = \frac{N}{1 + i \cdot t}\]
Exemplo comparativo — Título R$ 1.000,00, 10% a.a., 1 ano
Por fora: \(A = 1000 \cdot (1 - 0,10) =\) R$ 900,00
Por dentro: \(A = \dfrac{1000}{1 + 0,10} \approx\) R$ 909,09
O desconto racional é sempre menor que o comercial.
Regra: o desconto comercial (por fora) é mais vantajoso para quem desconta
(banco/financeira). O desconto racional (por dentro) é mais vantajoso para o devedor.
Em títulos de longo prazo a diferença pode ser significativa.
Problema 1 — Juros Simples
Um comerciante tomou um empréstimo de R$ 8.000,00 a juros simples de 4% ao mês.
Após 5 meses, qual o montante a pagar?
\(J = 8000 \cdot 0,04 \cdot 5 = 1600\)
\(M = 8000 + 1600\)
Montante = R$ 9.600,00
Problema 2 — Juros Compostos
Quanto rende uma aplicação de R$ 2.000,00 a 12% ao ano, pelo regime composto, em 3 anos?
\(M = 2000 \cdot (1,12)^3 = 2000 \cdot 1,404928\)
\(M \approx\) R$ 2.809,86
Juros = R$ 809,86
Problema 3 — Desconto Comercial
Uma duplicata de R$ 3.500,00 com vencimento em 90 dias é descontada comercialmente
a uma taxa de 3% ao mês. Qual o valor líquido recebido?
90 dias = 3 meses
\(D = 3500 \cdot 0,03 \cdot 3 = 315\)
\(A = 3500 - 315\)
Valor líquido = R$ 3.185,00