A estatística organiza e interpreta dados para auxiliar na
tomada de decisões. O ponto de partida é distinguir o conjunto total de elementos
(população) do subconjunto efetivamente observado
(amostra).
Tipos de variável
- Quantitativa discreta — valores inteiros contáveis
(qtd. de filhos, número de gols)
- Quantitativa contínua — qualquer valor num intervalo
(altura, temperatura, tempo)
- Qualitativa nominal — categorias sem ordem natural
(cor dos olhos, estado civil)
- Qualitativa ordinal — categorias com ordem definida
(escolaridade: fundamental < médio < superior)
Classifique: "número de gols em uma partida".
Assume valores 0, 1, 2, … (inteiros contáveis).
Quantitativa discreta
Classifique: "tempo de reação em segundos".
Pode assumir 0,31 s; 0,312 s; … qualquer valor → contínua.
Quantitativa contínua
Classifique: "satisfação: ruim, regular, bom, ótimo".
Categorias com ordem definida.
Qualitativa ordinal
As medidas de tendência central indicam um valor representativo
do conjunto. As três principais são a média aritmética,
a mediana e a moda.
Média aritmética simples
Soma de todos os valores dividida pela quantidade de elementos \(n\):
\[
\bar{x} = \frac{x_1 + x_2 + \cdots + x_n}{n}
\]
Média aritmética ponderada
Cada valor \(x_i\) recebe um peso \(w_i\):
\[
\bar{x}_p = \frac{x_1 w_1 + x_2 w_2 + \cdots + x_n w_n}{w_1 + w_2 + \cdots + w_n}
\]
Mediana (Me)
Valor central do rol (dados em ordem crescente):
- \(n\) ímpar: elemento da posição \(\dfrac{n+1}{2}\)
- \(n\) par: média dos elementos das posições \(\dfrac{n}{2}\) e \(\dfrac{n}{2}+1\)
Moda (Mo)
Valor que aparece com maior frequência. Um conjunto pode ser
amodal (sem moda), unimodal,
bimodal etc.
Notas de 5 alunos: 5, 6, 6, 7, 10. Calcule \(\bar{x}\), Me e Mo.
\(\bar{x} = \dfrac{5+6+6+7+10}{5} = \dfrac{34}{5}\)
\(\bar{x} = 6{,}8\)
\(n = 5\) (ímpar) → posição \(\dfrac{5+1}{2} = 3\) → Me = 6
Me = 6 Mo = 6 (aparece 2×)
Médias ponderadas: N₁ = 7 (peso 2), N₂ = 5 (peso 3), N₃ = 8 (peso 5).
\(\bar{x}_p = \dfrac{7 \cdot 2 + 5 \cdot 3 + 8 \cdot 5}{2+3+5} = \dfrac{14+15+40}{10} = \dfrac{69}{10}\)
\(\bar{x}_p = 6{,}9\)
Quando usar cada uma? A média é influenciada por valores
extremos (outliers); a mediana é mais robusta nesses casos.
A moda indica o valor mais típico da distribuição.
Duas turmas podem ter a mesma média e ser muito diferentes entre si.
As medidas de dispersão quantificam o quanto os dados
se afastam do valor central.
Amplitude total
\[
A = x_{\max} - x_{\min}
\]
Variância (\(\sigma^2\)) e desvio padrão (\(\sigma\))
O desvio de cada valor em relação à média é
\(d_i = x_i - \bar{x}\). A variância é a média dos quadrados desses desvios:
\[
\sigma^2 = \frac{\displaystyle\sum_{i=1}^{n}(x_i - \bar{x})^2}{n}
\]
O desvio padrão \(\sigma = \sqrt{\sigma^2}\) tem a mesma
unidade dos dados, facilitando a interpretação prática.
Notas de 5 alunos: 4, 6, 7, 8, 10. Calcule \(A\), \(\sigma^2\) e \(\sigma\).
\(\bar{x} = \dfrac{4+6+7+8+10}{5} = \dfrac{35}{5} = 7\)
\(A = 10 - 4 = 6\)
Desvios: \(-3,\; -1,\; 0,\; +1,\; +3\)
\(\sigma^2 = \dfrac{(-3)^2+(-1)^2+0^2+1^2+3^2}{5} = \dfrac{9+1+0+1+9}{5} = \dfrac{20}{5} = 4\)
\(\sigma = \sqrt{4} = 2\)
Regra prática: \(\sigma\) pequeno indica dados concentrados
perto da média; \(\sigma\) grande indica dados espalhados. No ENEM, basta
saber calcular \(\sigma^2\) a partir dos desvios e extrair a raiz quadrada.
Quando há muitos dados, organizamos em uma tabela de distribuição
de frequências. Cada intervalo de classe \([a, b)\) agrupa os
valores com \(a \leq x < b\).
Definições
- \(f_i\) — frequência absoluta: quantidade de dados na classe \(i\)
- \(fr_i = f_i \,/\, n\) — frequência relativa: proporção (0 a 1)
- \(F_i = f_1 + f_2 + \cdots + f_i\) — frequência acumulada
Exemplo — notas de 10 alunos
| Classe |
\(f_i\) |
\(fr_i\) |
\(F_i\) |
| [0, 2) |
1 |
0,10 |
1 |
| [2, 4) |
2 |
0,20 |
3 |
| [4, 6) |
4 |
0,40 |
7 |
| [6, 8) |
2 |
0,20 |
9 |
| [8, 10] |
1 |
0,10 |
10 |
| Total |
10 |
1,00 |
— |
Leitura: \(F_3 = 7\) significa que 7 alunos obtiveram nota
abaixo de 6 (três primeiras classes). \(fr_3 = 0{,}40\) indica que 40%
dos alunos estão na classe [4, 6).
Representações gráficas revelam padrões que tabelas numéricas ocultam.
Os três tipos mais cobrados no ENEM são o histograma,
o polígono de frequências e o boxplot.
Histograma e Polígono de Frequências
O histograma representa as frequências por barras
justapostas (sem espaço entre elas), uma por classe. O
polígono de frequências é obtido ligando os pontos médios
do topo de cada barra.
Boxplot (diagrama de caixa)
O boxplot resume a distribuição em cinco valores: mínimo,
\(Q_1\), mediana (\(Q_2\)), \(Q_3\) e máximo. A caixa vai
de \(Q_1\) a \(Q_3\); a linha interna indica a mediana; os
bigodes se estendem ao mínimo e ao máximo.
Dados em ordem crescente: 2, 4, 5, 6, 7, 8, 9 (\(n = 7\)).
\(Q_2\) (mediana): posição 4 → \(Q_2 = 6\)
Metade inferior \(\{2, 4, 5\}\) → \(Q_1 = 4\)
Metade superior \(\{7, 8, 9\}\) → \(Q_3 = 8\)
Mín = 2 \(Q_1\) = 4 \(Q_2\) = 6 \(Q_3\) = 8 Máx = 9
Amplitude interquartílica: \(IQR = Q_3 - Q_1\).
Valores fora do intervalo \([Q_1 - 1{,}5 \cdot IQR,\; Q_3 + 1{,}5 \cdot IQR]\)
são considerados outliers e aparecem como pontos isolados no boxplot.